Jorge Luiz Souto Maior
A manifestação de hoje, no bairro do
Tatuapé, em São Paulo ,
organizada pelo MPL e contando com a participação de diversos coletivos
bastante atuantes, chegou ao final sem qualquer incidente. Foi muito bonita a
empolgação dos participantes ao final do ato, que se transformou em uma grande
festa: as pessoas, felizes e aliviadas, se abraçavam e comemoravam o feito,
renovando o ânimo para a luta.
Esse fato, ademais, demonstra,
claramente, sobretudo para quem se deixa induzir por parte da grande mídia, que
aos manifestantes o que interessa verdadeiramente é concluir o ato, para tentar
conseguir alcançar o seu objetivo político, até porque o ato em si já causa
bastante transtorno, sendo que quanto mais for apto a aderir pessoas, com as
mesmas convicções, melhor. Assim, os tumultos não interessam aos manifestantes,
sendo provocados, portanto, por “infiltrados”. No ato de hoje bem que alguns
desses “infiltrados”, que são facilmente percebidos entre os participantes, até
que tentaram começar alguns tumultos, mas a geografia dos locais por onde
passou a manifestação não era propícia à atuação desses personagens.
Foi bastante impressionante no ato de
hoje também o apoio transmitido aos manifestantes pelos moradores do bairro.
Muitas pessoas nas sacadas, nas janelas e nas portarias aplaudiam e
incentivavam o ato – ao menos o assistiam sem expressar crítica. Interessante,
ainda, que esse apoio veio também de diversos trabalhadores, que atuavam em
lojas ou restaurantes.
Essa situação constitui forte
demonstração de que o espírito das manifestações de junho de
2013 não está enterrado. Para quem apostou que junho nunca mais
voltaria talvez esteja chegando o momento de rever suas previsões.
Por fim, é essencial destacar que o ato
de hoje, que contou com mais de 5.000 pessoas, extrapolando as expectativas,
não foi, ao contrário de tantos outros do próprio junho/13, desprovido de convicções.
Os manifestantes foram firmes na expressão de suas convicções que carregavam
forte conteúdo solidário e consistente consciência social, voltados não apenas
à redução (e até eliminação) da tarifa de ônibus, mas à defesa de várias outras
pautas extremamente relevantes para a classe trabalhadora, como, por exemplo, a
readmissão dos ferroviários, que foram demitidos porque lutaram, e a
preservação dos empregos dos cobradores do ônibus, ameaçados de demissão.
Se alguém tem desconfiança quanto ao
futuro do Brasil é por que não conhece esses 5.000 jovens, lutadores,
inteligentes, conscientes e solidários, que são, ademais, apenas uma pequena
mostra de tantos outros milhares de jovens que carregam os mesmos adjetivos e
que existem por aí e que talvez se apresentem nos próximos atos, até que a
tarifa, enfim, seja eliminada!
Foi uma tarde/noite muito exitosa,
ficando a expectativa de que, como foi dito ao final, sexta-feira seja ainda
maior.
São Paulo, 20 de janeiro de 2015.
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